segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pinóquio e o Campo dos Milagres Carlo Collodi (e uma pequena participação minha)



Minha mãe leu toda a obra de Monteiro Lobato enquanto nos colocava para dormir. Repito o mesmo hábito com Naran, meu neto, enquanto ele passa as férias conosco. Terminamos “Alice no País das Maravilha”. Começamos “As Aventuras de Pin óquio” de Carlo Collodi (Editora Iluminuras , 2002). Quanto enlevo!
Chegamos ao capítulo XII. Comefogo, o dono de um teatrinho de bonecos, dá de presente cinco moedas de ouro para Pinóquio para que ele as leve para Gepeto, seu pai; e Pinóquio em vez disso, deixa-se enrolar pela Raposa e pelo Gato e vai embora com eles.
O texto é carregado de significados. E as lições servem não apenas para crianças, mas para adultos enredados por espertalhões de todo tipo, inclusive religioso. Muitos continuam a cair na mesma esparrela que Pinóquio.
Ao transcrevê-lo, faço várias conexões com as promessas abundantes do meio em que estou mais familiarizado: igrejas evangélicas.
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No dia seguinte, Comefogo chamou Pinóquio de lado e perguntou:

-Qual é o nome do seu pai?

-Gepeto.

-E o que ele faz?

-É um pobre.

-Ele ganha muito?

-Ele ganha tanto quanto é preciso para não ter nunca um centavo sequer no bolso. Imagine que para comprar minha Cartilha da escola teve que vender a única jaqueta que vestia, uma jaqueta que, entre consertos e remendos, estava caindo aos pedaços.
-Pobre sujeito! Me dá até dó! Eis aqui cinco moedas de ouro. Leve-as logo para ele e mande lembranças de minha parte.

Pinóquio, com é fácil imaginar, agradeceu mil vezes o patrão, abraçou, um por um, todos bonecos da Companhia, até os guardas, e, delirando de felicidade, seguiu viagem para voltar para casa.
Mas não tinha andado nem meio quilômetro ainda quando encontrou pelo caminho uma Raposa manca de uma pata e um Gato cego dos dois olhos, que iam andando devagarinho, ajudando-se um ao outro, como bons companheiros de infortúnio. A Raposa, que era manca, caminhava apoiando-se no Gato, e o Gato, que era cego, deixava-se guiar pela Raposa.
-Bom dia, Pinóquio – disse a Raposa, cumprimentando-o educadamente.

-Como é que você sabe meu nome? - perguntou o boneco.

-Eu conheço bem o seu pai.

-Onde você o viu?

-Eu o vi ontem na soleira da porta da casa dele.

-E o que ele estava fazendo?

-Ele estava só de camisa e estava tremendo de frio.

-Pobre papai! Mas, se Deus quiser, de hoje em diante ele não vai mais tremer!...

-Por quê?

-Porque eu me tornei um rico senhor.

-Você, um rico senhor? - disse a Raposa, e começou a rir com uma risada desengonçada e zombeteira; e o Gato também ria, mas, para disfarçar, penteava os bigodes com as patas da frente.

-Não tem graça nenhuma – gritou Pinóquio ofendido. - Sinto muito se vou deixar vocês com água na boca, mas estas aqui, se é que vocês entendem isso, são cinco belíssimas moedas de ouro. E tirou do bolso as moedas que Comefogo lhe dera de presente.

Ao som agradável daquelas moedas, a Raposa, por um impulso involuntário, espichou a pata que parecia encolhida e o Gato esbugalhou todos os dois olhos, que pareceram duas lanternas verdes, mas logo depois voltou a fechá-los, tanto é que Pinóquio não percebeu nada.

-E agora – perguntou a Raposa -, o que você vai querer fazer com essas moedas?

-Antes de mais nada – respondeu o boneco -, quero comprar para o meu pai uma bela jaqueta nova, toda de ouro e prata e com os botões de brilhantes, e depois quero ir para a escola e começar a estudar para valer.

-Olhe só para mim! - disse a Raposa. - Por causa da minha paixão tola pelo estudo, perdi uma perna.

-Olha só para mim! - disse o Gato. - Por causa da minha paixão tola pelo estudo fiquei cego dos dois olhos.
Enquanto isso, um Melro branco que estava empoleirado sobre a cerca à beira da estrada cantou como de costume e disse:
-Pinóquio, não dê ouvidos aos conselhos de más companhias, senão você vai arrepender-se!
Pobre Melro, teria sido melhor se não tivesse feito isso! O Gato, dando um grande salto, atirou-se em cima dele e, sem lhe dar nem ao menos tempo de dizer Ai, devorou-o de um só bocado, com as penas e tudo.
Depois de comê-lo e de limpar a boca, fechou novamente os olhos e voltou a se fazer de cego como antes.
-Pobre Melro – disse Pinóquio ao Gato -, por que você o tratou tão mal?
-Fiz isso para lhe dar uma lição. Assim, da próxima vez, ele vai aprender a não se meter nas conversas dos outros.
Já tinham andado mais da metade do caminho quando a Raposa, parando de supetão, disse para o boneco:
-Você quer dobrar as sua moedas de ouro?

-Como assim?

-Você quer que essas cinco miseráveis moedas de ouro virem cem, mil, dua mil?

-Pudera! De que jeito?

-De um jeito muito fácil. Em vez de voltar para casa, você deveria vir conosco.

-E aonde vocês querem levar-me?

-Ao País das Antas.

-Pinóquio pensou um pouco, depois disse com determinação:
-Não, não quero ir. Agora já estou perto de casa e quero ir para casa, onde meu pai está esperando-me. Quem sabe, pobre velho, como ficou ansioso ontem quando não me viu voltar. Infelizmente fui um mau menino, e o Grilo-falante tinha razão quando dizia: “Os meninos desobedientes não conseguem nada de bom neste mundo”. E eu aprendi isso às minhas custas, porque muitas desgraças me aconteceram, e ontem à noite, na casa de Comefogo, corri perigo...Brrr! Me dá um arrepio só de pensar!

-Então – disse a Raposa -, você quer mesmo ir para casa? Então vá, e pior para você.
-Pior para você! - repetiu o Gato.

-Pensei bem, Pinóquio, porque você está virando as costas para a sorte.

-Para a sorte! - repetiu o Gato.

-As suas cinco moedas de ouro de hoje para amanhã teriam virado duas mil.

-Duas mil – repetiu o Gato.

-Mas como é possível que virem tantas assim? - perguntou Pinóquio, ficando de boca aberta de tão estupefato.

-Já vou explicar para você – disse a Raposa. - É preciso saber que no país das Antas tem um campo abençoado que todos chamam de Campo dos Milagres. Você cava neste campo um pequeno buraco e coloca dentro dele, por exemplo, uma moeda de ouro. Depois você cobre o buraco com um pouco de terra, rega-o com dois baldes de água de chafariz, joga por cima um punhado de sal, e, no fim da tarde, você vai sossegado para a cama. Enquanto isso, durante a noite, a moeda de ouro brota e dá flor e, na manhã seguinte, ao levantar, você volta para o campo e o que você encontra? Encontra uma bela árvore carregada de tantas moedas de ouro quantos são os grãos de trigo de uma bela espiga no mês de junho.

-Então vejamos – disse Pinóquio cada vez mais atônito -, se eu enterrasse naquele campo as minhas cinco moedas de ouro, na manhã seguinte quantas moedas de ouro eu encontraria?

-É uma conta facílima – respondeu a Raposa -, uma conta que você pode fazer na ponta dos dedos. Suponhamos que cada moeda dê um cacho de quinhentas moedas; faça quinhentas vezes cinco e na manhã seguinte você vai encontrar no seu bolso duas mil e quinhentas moedas ouro brilhando e tinindo.

-Oh, que bom! - gritou Pinóquio, dançando de alegria. - Assim que eu tiver colhido essas moedas de ouro, vou ficar com duas mil para mim e vou dar as outras quinhentas de presente para vocês dois.

-Um presente para nós? - Gritou a Raposa indignando-se e dizendo-se ofendida. - Deus me livre!

-Me livre! - repetiu o Gato.

-Nós – prosseguiu a Raposa – não trabalhamos por interesses mesquinhos, nós trabalhamos unicamente para enriquecer os outros.

-Os outros! - repetiu o Gato.

-Que pessoas de bem! - pensou Pinóquio consigo. E, esquecendo-se na mesma hora do seu pai, da jaqueta nova, da Cartilha e de todas as suas boas intenções, disse para a Raposa e para o Gato:

-Vamos logo. Eu vou com vocês!

Texto de Ricardo gondim

PS. Faça as conjecturas, veja se essa história faz sentido ou não, e tome cuidado, as Raposas e os Gatos continuam por aí).

sábado, 25 de junho de 2011

Pastoras lésbicas querem fazer 'evangelização' na Parada Gay de SP

Lanna Holder e Rosania Rocha dizem que movimento perdeu o propósito.
Organização diz que evento continua reivindicando direitos humanos.

Do G1 SP
Para o casal de pastoras, a Parada Gay perdeu seu propósito inicial de lutar pelos direitos dos homossexuais (Foto: Clara Velasco/G1)Para o casal de pastoras, a Parada Gay perdeu seu propósito inicial de lutar pelos direitos dos homossexuais (Foto: Clara Velasco/G1)
Três semanas depois de inaugurar uma igreja inclusiva e voltada para acolher homossexuais no Centro de São Paulo, o casal de pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha pretende participar da Parada Gay de São Paulo, em 26 de junho, para "evangelizar" os participantes. Estudantes de assuntos ligados à teologia e a questões sexuais, as mulheres encaram a Parada Gay como um movimento que deixou de lado o propósito de sua origem: o de lutar pelos direitos dos homossexuais.
“A história da Parada Gay é muito bonita, mas perdeu seu motivo original”, diz Lanna Holder. Para a pastora, há no movimento promiscuidade e uso excessivo de drogas. “A maior concepção dos homossexuais que estão fora da igreja é que, se Deus não me aceita, já estou no inferno e vou acabar com minha vida. Então ele cheira, se prostitui, se droga porque já se sente perdido. A gente quer mostrar o contrário, que eles têm algo maravilhoso para fazer da vida deles. Ser gay não é ser promíscuo.”
As duas pastoras vão se juntar a fiéis da igreja e a integrantes de outras instituições religiosas para conversar com os participantes da parada e falar sobre a união da religião e da homossexualidade. Mas Lanna diz que a evangelização só deve ocorrer no início do evento. “Durante [a parada] e no final, por causa das bebidas e drogas, as pessoas não têm condição de serem evangelizadas, então temos o intuito de evangelizar no início para que essas pessoas sejam alcançadas”, diz.
Leandro Rodrigues, de 24 anos, um dos organizadores da Parada Gay, diz que o evento “jamais perdeu o viés político ao longo dos anos”. “O fato de reunir 3 milhões de pessoas já é um ato político por si só. A parada nunca deixou de ser um ato de reivindicação pelos direitos humanos. As conquistas dos últimos anos mostram isso.”
Segundo ele, existem, de fato, alguns excessos. “Mas não é maioria que exagera nas drogas, bebidas. Isso quem faz é uma minoria, assim como acontece em outros grandes eventos. A parada é aberta, e a gente não coíbe nenhuma manifestação individual. Por isso, essas pastoras também não sofrerão nenhum tipo de reação contrária. A única coisa é que o discurso tem que ser respeitoso.”
Negação e aceitação da sexualidade
As duas mulheres, juntas há quase 9 anos, chegaram a participar de sessões de descarrego e de regressão por causa das inclinações sexuais de ambas. “Tudo que a igreja evangélica poderia fazer para mudar a minha orientação sexual foi feito”, afirma Lanna. “E nós tentamos mudar de verdade, mergulhamos na ideia”, diz Rosania. As duas eram casadas na época em que se envolveram pela primeira vez.
O casal passou por sessões de descarrego e regressão por causa da orientação sexual (Foto: Clara Velasco/G1)O casal passou por sessões de descarrego e
regressão por causa da orientação sexual (Foto:
Clara Velasco/G1)
“Sempre que se fala em homossexualidade na religião, fala-se de inferno. Ou seja, você tem duas opções: ou deixa de ser gay ou deixa de ser gay, porque senão você vai para o inferno. E ninguém quer ir para lá”, diz Lanna.
A pastora afirma que assumir a homossexualidade foi uma descoberta gradual. “Conforme fomos passando por essas curas das quais não víamos resultado, das quais esperávamos e ansiávamos por um resultado, percebemos que isso não é opção, é definitivamente uma orientação. Está intrínseco em nós, faz parte da nossa natureza.”
Igreja Cidade de Refúgio
Segundo as duas mulheres, após a aceitação, surgiu a ideia de fundar uma igreja inclusiva, que aceita as pessoas com histórias semelhantes as delas. “Nosso objetivo é o de acolher aqueles que durante tanto tempo sofreram preconceito, foram excluídos e colocados à margem da sociedade, sejam homossexuais, transexuais, simpatizantes”, diz Lanna.
Assim, a Comunidade Cidade de Refúgio foi inaugurada no dia 3 de junho na Avenida São João, no Centro de São Paulo. Segundo as pastoras, em menos de 2 semanas o número aumentou de 20 fiéis para quase 50. Mas o casal ressalta que o local não é exclusivo para homossexuais. “Nós recebemos fiéis heterossexuais também, inclusive famílias”, diz Rosania.
Apesar do aumento de fiéis, as duas não deixaram de destacar as retaliações que têm recebido de outras igrejas através de e-mails, telefonemas e programas de rádio e televisão. “A gente não se espanta, pois desde quando eu e a pastora Rosania tivemos o nosso envolvimento inicial, em vez de essa estrutura chamada igreja nos ajudar, foi onde fomos mais apontadas e julgadas. Mas não estamos preocupadas, não. Viemos preparadas para isso”, afirma Lanna.

PORQUE COISAS RUINS ACONTECEM A PESSOAS BOAS?



POR QUE COISAS RUINS ACONTECEM A PESSOAS BOAS?


Há não muito tempo atrás foi lançado um livro cujo titulo levantava a questão de por que coisas ruins acontecem a pessoas boas.

Dei apenas uma olhadela no livro. Francamente não me interessou por uma simples razão de ordem invertida. Para mim a grande surpresa, num mundo caído—ou seja: marcado pelo pecado e existindo em caoticidade—é justamente o oposto: por que ainda acontecem tantas coisas boas com gente de todo tipo?

A questão proposta no livro é plausível apenas para quem não vê a vida com realismo bíblico.

Adriana o demoliu com apenas uma pergunta: Por que Coisas Boas Acontecem Ainda a Nós?

Esse mundo jaz no maligno e seus habitantes “conscientes de si”—os humanos—são a grande praga e maior razão de morte no próprio planeta.

A leitura da Bíblia nos chama desde o início para essa cruenta realidade da existência.

Depois de Gênesis 3 acabam-se as leituras fabulosas sobre a condição humana. A seqüência inteira nos esmaga: Caim mata Abel, os poderosos começam a determinar o destino dos demais, instrumentos cortantes são inventados, a maldade se espalha pela terra—o Diluvio cai sobre a humanidade!

O que se segue é igualmente marcado pela dor. Ser Abraão só é romântico para quem não tem que experimentar o que o patriarca experimentou.

O mesmo se pode dizer de praticamente todos os personagens bíblicos.

Os livros de sabedoria—Jó, Salmos, Provérbios e Eclesiastes—não abrem espaço para que nenhuma idéia de que a benção de Deus impede a calamidade.

Tudo acontece a todos!

O que resta é saber o que cada um faz com o mal ou com o bem. Assim, há males que produzem bem, no ser. E há bens que introduzem o mal, também no ser.

Jesus foi absolutamente claro acerca desta questão:

1. A calamidade sobre alguns deveria convocar a todos ao arrependimento--como no caso dos galileus mortos!

2. Nós somos maus, apesar de às vezes fazermos coisas boas a quem amamos--os filhos!

3. O tratamento “bom”, como qualificação, somente cabe em relação a Deus--como no encontro com o jovem rico!

4. Até o mal congênito pode se tornar algo bom, para a gloria de Deus--como no caso do cego de nascença!

A lista poderia ser interminável!

O restante da revelação insiste na mesma ênfase. O Apocalipse nos leva trêmulos pela mão pelas veredas sombrias e angustiantes do “futuro”.

Portanto, a surpresa é o bem e o bom ainda nos alcançarem na terra.
Talvez seja pela ausência dessa consciência que nos sentimos abandonados por Deus quando a calamidade muda o endereço da porta do vizinho para a nossa.

Mas quem tem essa consciência e ama a Deus na realidade da vida, não se assusta mais; e nunca se vê abandonado por Deus porque dói.

Dói mesmo!

Mas e daí?

No mundo tereis aflições...

E elas podem vir com caras as mais diversas.

A recomendação é bom ânimo. Jesus venceu o mundo, mas fez isso passando pelo sofrimento.

A galeria dos homens e mulheres de e da fé em Hebreus 11, nos põe cara a cara com os esmagadores fatos da existência. Entretanto, adverte que sem fé é impossível agradar a Deus.

Tudo pode acontecer a todos!

Mas a fé não é de todos!

Se você tem fé apesar de tudo, agradeça. O que de melhor pode acontecer a um ser humano na terra aconteceu a você. Afinal, você crê. E sem fé é impossível agradar a Deus!

Então, felicidades!

Bem-aventurados os humildes, os que choram, os mansos, os famintos de justiça, os perseguidos e os que se ocupam de lutar pela mais perdida de todas as causas da terra: promover a paz!

O segredo de tudo é a gratidão. E a gratidão só surge quando as “perdas da terra” são consideradas por nós como adubo para o ser!

Tudo depende de onde está o seu tesouro!

Caio fabio

http://www.caiofabio.net